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Perda de Dados e Ações Pós Incidente

Criado em 19/11/2019. Atualizado em 30/07/2026.

Introdução

Após duas décadas observando a reação de empresas diante de desastres com perda de dados, ficou evidente a adoção de alguns padrões e procedimentos comuns a todas elas. Tanto em desastres causados por danos em hardware, quanto em incidentes ocorridos em nível lógico, as respostas poderiam ser aprimoradas para evitar maiores prejuízos e proporcionar uma recuperação satisfatória.

Erros Comuns

Representação de perda de dados
Representação de perda de dados

Incidentes com perda de acesso a dados críticos deveriam exigir respostas rápidas e precisas. No entanto, há uma certa morosidade inerente às políticas usualmente adotadas, assim como o uso de práticas que apresentam riscos para os ambientes a serem recuperados.

Em organizações com estruturas de TI mais enxutas, danos em storage e indisponibilidade de dados podem ser percebidos inicialmente pelos próprios usuários que acessam os recursos afetados. Nesses cenários, a identificação, o escalonamento e a definição da resposta podem demandar mais tempo, especialmente quando não há monitoramento especializado ou um plano de resposta formalizado. Em ambientes maiores, é comum haver equipes e ferramentas dedicadas à monitoramento de storage, backup e disaster recovery, o que tende a acelerar a avaliação e a contenção do incidente.

Ainda assim, procedimentos invasivos de verificação e tentativas prematuras de restabelecimento podem ocorrer em organizações de todos os portes. Um exemplo de ação que exige avaliação criteriosa é iniciar o rebuilding de um RAID quando há suspeita de corrupção nos drives (HDs, SSDs etc.). Dependendo do cenário, essa operação pode alterar metadados, comprometer a consistência do array e reduzir as possibilidades de recuperação. Por isso, recursos de auto-rebuilding em controladoras ou sistemas devem ser avaliados com cuidado antes de serem acionados.

Outro procedimento que requer cautela é o escaneamento de setores ou blocos em discos com indícios de mau funcionamento. Ferramentas como chkdsk, sfc (/scannow) e fsck podem ser úteis em contextos específicos, mas não devem ser executadas como primeira resposta quando há suspeita de falha física ou instabilidade no drive. Essas rotinas podem intensificar operações de leitura e escrita, agravar a condição de dispositivos já comprometidos e alterar estruturas lógicas relevantes para a recuperação. Problemas físicos em dispositivos de armazenamento exigem diagnóstico e tratamento especializados.

Em ambientes com equipes reduzidas, atividades normalmente atribuídas a uma estrutura dedicada de disaster recovery podem ficar sob responsabilidade da equipe interna de infraestrutura. A definição prévia de procedimentos, critérios de escalonamento e apoio especializado ajuda a tornar essa resposta mais segura.

Mitigação

Em ambientes com recursos operacionais mais limitados, a detecção e a resposta a falhas de storage podem depender de processos manuais ou de alertas percebidos durante a operação. Situação semelhante pode ocorrer em perdas de dados causadas por acidentes — como exclusão de arquivos ou tabelas de partição — e por ações intencionais, como espionagem industrial ou vandalismo digital.

Mesmo em instituições de maior porte, procedimentos com risco para drives avariados podem ser adotados durante a tentativa de restabelecer a operação. Nem sempre se trata de uma ação evidentemente inadequada: operações aparentemente simples podem aumentar a degradação de discos em estado precário ou causar inconsistências permanentes em volumes e sistemas de arquivos. Por esse motivo, cada intervenção deve ser precedida pela avaliação do cenário e dos riscos para os dados.

Dispositivos de armazenamento (HD, SSD, flash drive etc.) com suspeita de falha devem ser preservados e tratados com critérios semelhantes aos aplicados a evidências técnicas. Em ambientes com informações críticas, a prioridade é interromper atividades de I/O e evitar novas intervenções nos dispositivos afetados, especialmente quando o incidente impede o acesso aos dados. A decisão de desligar o equipamento deve considerar a arquitetura do ambiente e o plano de contingência disponível.

Em um ambiente com perda de dados críticos, os drives afetados devem ser isolados de operações de leitura e escrita até que o cenário seja avaliado. Essa preservação reduz o risco de alterações adicionais nos dispositivos, nas estruturas lógicas e no conteúdo que poderá ser recuperado.

Drives e controladoras podem executar rotinas de realocação de setores ou blocos ao identificar áreas danificadas nas mídias de armazenamento. Em um drive avariado, operações adicionais de leitura ou gravação podem acionar processos que ampliam o impacto do incidente. Esse risco aumenta durante escaneamentos de setores ou blocos realizados por programas como HD Tune e por utilitários como chkdsk e fsck. Dependendo da falha, essas ações podem causar perda de dados, ampliar danos físicos em HDs ou gerar inconsistências em volumes, sistemas de arquivos e metadados. Por isso, intervenções desse tipo devem ser evitadas até que haja uma avaliação técnica adequada, preservando as possibilidades de recuperação de dados.

Melhores Práticas

Verificando volume corrompido
Verificando volume corrompido

A consulta aos parâmetros SMART pode auxiliar usuários, técnicos e analistas na identificação inicial de sinais de degradação. Essa tecnologia reúne indicadores registrados pelo próprio drive de armazenamento sobre seu estado de funcionamento. Programas como o Gsmartcontrol ajudam a interpretar essas informações e a visualizar detalhes sobre o status do dispositivo.

A consulta mínima aos parâmetros SMART pode ser uma etapa útil de triagem, desde que o dispositivo ainda responda e que a operação seja compatível com o procedimento de preservação adotado. A interpretação desses indicadores por profissionais de primeiro atendimento pode reduzir o tempo de identificação e escalonamento de falhas em HDs, SSDs e outros dispositivos de storage.

Em ambientes Linux e Unix, mensagens associadas à libata podem ajudar a identificar indícios de problemas em discos. Esse subsistema do kernel registra eventos relacionados à comunicação e a erros em drives utilizados pelo sistema operacional. A análise das mensagens exibidas por dmesg, especialmente erros de leitura e escrita, é uma fonte útil de evidências para a avaliação inicial, embora deva ser correlacionada com outros sinais do incidente.

Os sistemas de arquivos também emitem sinais claros quando existem devices de storage com mal funcionamento. Em plataformas Windows, é comum o gerenciador de tarefas indicar uso de disco em 100%. Em plataformas Unix, serão observados picos de processamento com threads de I/O (kworker, jdb2, etc.).

Em ambientes com monitoramento centralizado, a verificação pode ser complementada por soluções integradas a servidores e storages, como Oracle HMP, IBM TSM, Dell OpenManage e Supermicro SuperDoctor. Essas ferramentas consolidam alertas e informações operacionais, facilitando o acompanhamento do ambiente e o encaminhamento da análise técnica quando necessário.

Os incidentes relacionados à perda de dados por dano lógico costumam apresentar sinais mais claros; salvo certos casos furtivos de violação de sistemas.

Conclusão

O tempo de reação e a qualidade da resposta são muito importantes na recuperação de um ambiente com conteúdo indisponível. Burocracia, políticas arcaicas, ausência de planos de recuperação de desastre e ações invasivas, são os maiores agravadores de desastres com perda de dados.

Diante de tais circunstâncias, devem ser adotadas ações rápidas, eficientes e não invasivas. A prioridade é preservar o ambiente e interromper operações de I/O nos dispositivos envolvidos, evitando alterações adicionais em setores, metadados, volumes e sistemas de arquivos. Em ambientes com informações críticas, recomenda-se consultar uma empresa especializada em recuperação de dados.

É importante lembrar que a melhor prevenção contra perda de dados continua sendo a implementação de sistemas eficientes de backup, com cópias verificadas e procedimentos de restauração testados. A substituição periódica e programada das mídias de armazenamento também deve fazer parte da gestão de infraestrutura e das tarefas preventivas de qualquer empresa.